Encarcerado

Sergio Costa Vincent - Cubo

Foto: © Sérgio Costa Vincent

Fechado a quatro chaves,
Assim permaneço eternamente,
Num pranto ensurdecedor
Sem qualquer som –
Tu jamais o ouvirás.

Relegaste-me ao cativeiro,
As promessas vãs do teu amor,
Tudo o que me restou
Foram lágrimas que perdi –
Assim como a ti.

Preso nesta jaula,
Neste cubo a que chamas amor,
Esqueceste-te de mim,
Deitaste fora a chave
E o paraíso é-me inatingível –
Não percebo o porquê.

Estás a olhar para mim,
Sorris sem pudor
Como se eu fosse mais um;
Um objeto do teu prazer,
Aquele que vais esquecer,
Até à próxima vítima encontrares.

Liberta-me deste pesar,
Deixa-me voar livremente,
Devolve-me a chave deste antro,
O impedimento ao paraíso
Que é aceder ao teu amor.

Estica a tua mão,
Toca-me ao de leve,
Dá-te (me):
Liberta-me (nos)!

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One response to “Encarcerado

  1. Boa tarde amigo. Como sempre outro excelente poema.Grata pela partilha. Um beijinho.

    ««Podemos dizer que somos seres acorrentados, contudo não são as correntes que nos prendem, somos nós que nos prendemos a elas.»»

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