Ausência

weheartit - Ausência

Foto: © weheartit

Exalas o fumo dentro de ti,
Uma substância que te matará
Aos poucos, passo a passo,
Assim como a falta que sinto
A cratera que tenho dentro de mim,
O buraco que deixaste no meu coração –
Matas-me, aos poucos
Com a tua ausência.

Recordo-me do cigarro
Pós-coito, que partilhávamos,
À janela daquele lugar inóspito,
Local a que chamávamos nosso,
Perdido na selva de betão
Numa cidade que tomamos
De assalto, sem aviso prévio.

Foi assim que disparaste
A tua arma invisível,
Uma bala direta ao meu coração:
Sem avisares,
Sem que eu soubesse,
Sem ter a noção dos estilhaços
Que iria provocar:
Amar-te perdidamente.

Guardo a bala invisível
No meu coração,
Como uma seta do Cúpido,
Sabendo que te foste,
Numa viagem sem retorno,
Como o fumo que se esvanece,
A cada baforada rumo ao infinito.

Permaneço estilhaçado,
Com a recordação de ti,
Num movimento perpétuo,
Um fumo que agora sai de mim,
Simulando o que já foste,
Num vício que não largo.

O cinzeiro está pleno,
Eu estou vazio de ti,
Fecho os olhos e sinto-te
Em mim, a cada passa que dou,
À medida que esvaneces no infinito –
Assim foi o nosso amor
Que um dia julguei eterno.

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