Prefácio: “Quis Saber de Mim” de Rodrigo Paredes

Quis Saber de Mim - Rodrigo Paredes - Capa

É com enorme prazer que fui convidado para prefaciar o livro do Rodrigo Paredes. Desde já o meu obrigado.

Ler “Quis Saber de Mim” de Rodrigo Paredes, é como penetrar num mundo paralelo: o real, e o da vontade.

Um jovem adolescente, que apesar da idade – e ainda bem que assim é – nos bujarda com poemas que nos tocam – é impossível que tal não aconteça – de alguma forma, como que um “wake up call”: ao sentir; ao outro; ao gostar e ao perdermo-nos no vazio. Este é muitas vezes uma espécie de silêncio, pleno de ruídos que deixam qualquer espírito inquieto.

Com calma, passo a passo, o Rodrigo vai tecendo uma teia que nos envolve, e encaminha, pelo seu mundo, algumas vezes conturbado, com dúvidas, e sem entender o porquê de certos acontecimentos terem de ter um determinado fim; talvez todos nós tenhamos um caminho análogo, talvez – cada um terá as suas dúvidas existenciais, com maior ou menor complicação, é certo.

Ao longo deste trilho (vulgo livro) deparamo-nos com inquietações, nomeadamente um amor, que parece não ter fim e ao mesmo tempo não ser passível ser consumado; dá a ideia que existe algo, ou alguém, que coloca um entrave ao culminar, à sua concretização.

As dúvidas existenciais do autor, por vezes tão marcadas em relação à sociedade, ou simplesmente a uma vida, que pode ser a minha, a sua, ou a de quem ler estes poemas, o que nos faz pensar e deixa-nos aquele travo, por vezes amargo, do lado negro, menos bom, da sociedade – nem tudo é perfeito, e os poemas são um espelho da sociedade em que vivemos.

Uma paixão interrompida, ora plena, ora arremessada ao vazio; por vontade de quem escreve, ou de quem é o objeto do amor faz-nos pensar em todas as relações interpessoais com as quais já nos deparamos e que, por algum fator – do destino, ou não – não se concretizaram positivamente.

Os sentimentos não são estáticos, e estes poemas são uma prova disso, uma elasticidade e plenitude de sentimentos vários que nos deixam atordoados, e ao mesmo tempo a desejar mais; a torcer pela concretização que tarda.

Uma escrita diferente, não linear, e decididamente de alguém que podia ter qualquer idade, apesar da jovem idade do autor. A idade é apenas números, mas a alma de poeta, escrevente, essa está incrustada em cada um de nós, de uma forma que por vezes o ato da escrita é como o respirar: torna-se imprescindível ser realizado.

O desafio impõe-se! Deixarmo-nos contagiar com estes poemas, e também nós sermos capazes de retirar as nossas próprias conclusões, e ilações, dos mesmos; talvez até, tentar antever o que poderá ter o autor pensado quando os escreveu – isso já seria fazer prognósticos, e isso está para além da realidade que nos é próxima.

Um autor que está a dar os primeiros passos, numa senda que se avizinha longa e frutífera. Ficamos, entusiasmados, a aguardar a próxima obra, independentemente do género e do tema, apenas com a vontade de sermos, novamente, surpreendidos.

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