Amor Ódio

Amor Ódio - Sérgio Costa Vincent

Foto: © Sérgio Costa Vincent

O teu olhar diz tudo,
Numa singela tarde de Verão,
Quente como tu, excitante,
No antro que é o nosso covil.

Usas o que eu gosto,
Provocas-me,
Ages de uma forma barata,
Revelas o que afinal és,
Pouco mais daquilo que já sabia:
És uma panaceia.

Não entendes porque te olho com esgar,
Muito menos porque te desdenho,
E te afasto depois de te ter,
Mesmo que me peças mais,
Me chames de fraco e me saltes para cima;
Sabes, és um genérico –
Algo que se toma apenas para ficar melhor:
Fodo-te por necessidade fisiologica, apenas.

Tens noção daquilo que és,
Consegues ver que não me serves para nada,
Que és apenas uma carta do meu baralho,
Um contacto do meu telemóvel,
Disponível à distância de uma tecla –
Consegues entender isto?

Rejeito-te para não gostar de ti,
Não quero que penses que te amo,
Que és mais do que um passatempo,
E no entanto não me sais da cabeça –
Que raio de passatempo fui eu arranjar.

Deves estar a rir da minha cara de tolo,
Do desejo de te ter novamente,
Rejeitar-te, enquanto te quero próxima,
Neste jogo de gato e rato,
Um vai vem de emoções reprimidas:
Ódio e amor –
Questiono os meus sentimentos:
Amo-te ou odeio-te?

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