Diário do Distrito: Crónica: Quantas pessoas consegue amar em simultâneo?

Pedro Pinto

Este é um tema polémico, e que divide tantas pessoas – cada um tem a sua forma de abordar, ver e vivenciar este amor: será mesmo amor?
Claro que quando conhecemos alguém ficamos empolgados, quase que inebriados, e grande parte das vezes nem vemos as coisas negativas dessa pessoa, ou neste caso dessas pessoas. É evidente que podemos sentir que estamos completamente enamorados por duas pessoas ao mesmo, por inúmeras situações: porque ambas as pessoas parecem perfeitas; porque nos fazem sentir na estratosfera, como se estivéssemos dentro de um filme.

Atenção que estamos perante uma partida do nosso cérebro; sim, efetivamente o nosso cérebro está a inundar-nos de adrenalina e dopamina -, duas substâncias que na fase do enamoramento, por tão intensas – de tal forma que não podemos sobreviver ad aeternum com estas descargas biológicas -; é este fulgor, esta névoa que nos pode fazer parecer que amamos duas ou mais pessoas. Mas não, está apenas a ser ludibriado por si mesmo. Estranho? Talvez, mas se pensar bem, concluí que o corpo humano sabe o que faz. Não esquecer que pode ficar viciado nestas sensações, o que o fará mudar de pessoa cada vez que o que sente diminui (ressaca das substâncias).

Então mas afinal o que é amar, e como se processa tal sentimento?

Vamos imaginar que a sua relação passou este teste de fogo, passando ao denominado amor romântico, quimicamente denominado por oxitocina, o que gera o apego, uma ligação com sentimentos mais profundos entre a relação. Isto só é conseguido com o passar dos anos – não, não é instantâneo -, à medida que toda a relação se aprofunda, a confiança, a sinceridade, onde sofrer ou ver sofrer é-nos igualmente importante, aqui chegamos ao verdadeiro amor: o amor maduro.

Quantos de nós não procuram o amor verdadeiro, mas preferem deixar-se ludibriar por si mesmos; sim, porque é mais fácil o imediato, porque o prazer é aqui, já e agora, em prol de dar tempo ao tempo e construir uma relação séria, e a sério.

Amar mais do que uma pessoa, não é amar, é um enamoramento constante, vulgo uma descarga química que nos pode viciar, e fazer-nos andar nesta espiral grande parte da nossa vida. Quando nos damos conta podemos olhar para trás e pensar no que andamos a fazer, e se na verdade não andamos enganados – possivelmente andamos, mas o vício poderá ter sido extremamente forte.

Vivemos numa sociedade que nos impacta com demasiadas formatações, ideais de beleza, de como deve ser o amor; como se existisse uma receita secreta para o mesmo, como se todos tivéssemos que ser autómatos e seguir as regras ditadas pelos média.

E porque não renunciar ao imediato, projetar um futuro sólido a dois, ao jeito de cada relação – sempre a dois – e deixar-nos levar por uma conquista diária bilateral rumo ao amor verdadeiro?

Fonte: Texto de Pedro Pinto • 20/10/2014 – 15:45 @ Diário do Distrito

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