Elevador

flickr - 'Ollie' - Elevator

Foto: © flicr ‘Ollie’ – “Elevator”

Apetecia-me estar a beijar-te dentro de um elevador: contigo encostada a um dos vidros, e eu a puxar-te para junto de mim, abraçar-te e beijar-te, à medida que as minhas mãos deslizam pelo teu corpo e apertam-te as nádegas.

Sentes-me contra ti entre o arfar, e um leve gemido que deixas escapar; deixas escapar um “amo-te” enquanto te lambo o pescoço; passo a língua pelo teu lado direito em direção à tua orelha e segredo-te “eu também”.

Com o pé direito dou um biqueiro no botão para parar o elevador e sentimos o ranger dos travões verticais do elevador; tanto eles como nós temos uma paragem, um entreolhar que nos estarrece, ao mesmo tempo que proferes algumas palavras impossíveis de entender.

Sentes-te num estão de êxtase e medo em simultâneo – fugiste do sentir e agora tens o amor da tua vida perante ti. Sossego-te à medida que te acalmo, embora o desejo e a luxúria imperem e nos toldem os sentidos. Sentimo-nos fora de nós mesmos e a sentir cada gota de suor que brota de cada poro dos nossos seres; um odor que nos excita ainda mais, como o atear de um fogo que já alastrou por terrenos virgens no seu vigor pleno.

O tentares afastar-te de mim, de quereres que te solte, embora todo o teu ser queira estar ali colado ao meu, como se de um único se tratasse faz com que entres numa contradição interna: queres-me; não me queres, mas queres – é algo que tens de perceber, de te libertar do passado remoto que ainda te aprisiona e não te permite que te (me) dês em toda a tua plenitude.

O pequeno espaço onde nos encontramos parece uma sauna; a extrema temperatura faz-nos deslizar um no corpo do outro, como se todos os trilhos, cada milímetro dos nossos seres apenas apontassem numa direção: possuirmo-nos.

O botão de stop é pressionado, agora gentilmente, como se estivesse a proteger-te num involucro inviolável; sim, tenho – e quero-te – um desejo avassalador por ti, quero-te aqui, já, agora, mas não assim – eu espero, não tenho pressa. Por várias provas infinitas que já me deste a cada dia que passou mereces o mesmo do “nós”, e esse, embora o desejo nos possa toldar a racionalidade, deve ser preservado e festejado num local nosso, com toda a calma, e o tempo que tu mereces. Afinal não somos apenas animais carnais – embora sendo-o -, e eu quero-te para além disso: o corpo, o coração e a tua alma.

Se calhar sou um ser diabólico que entrou na tua vida sem pedir permissão, e tu outro, sem que eu saiba, mas que apesar de todas as vicissitudes, finalmente está a encontrar a paz, o apaziguamento que só tu podes dar.

Diabólica ou angelical, sejas o que fores, sê tu mesma: avassala-me!

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