Refém

Diogo Ferreira - Refém

Foto: © Diogo Ferreira

Tudo não passa de diversão,
Um passatempo interminável,
Algo inexplicável e sem sabor,
Uma falta de amor.

Desperdiço o meu tempo contigo,
Nas noites loucas e estonteantes,
Quando sei que o amor não é isto;
Sei que é algo diferente:
Sinto-o.

Fazes-me não amar (me),
Detestar-me a cada dia que passa,
No vício que me persegue,
Em ti que não me permite fugir,
Escapar deste ciclo vicioso.

Quero amar sem estar aprisionado a ti,
Regressar a casa e sentir-me querido,
Ter alguém que me espera sorridente,
Num amor incondicional,
Uma paixão avassaladora,
Uma bilateralidade eterna e constante;
Tudo é (me) um sonho.

Uma falta de amor,
É o que me fazes sentir,
Rejubila-te com isso como se fosse teu,
Uma marioneta que manipulas,
E fazes aquilo que queres,
A teu belo prazer.

Pergunto-me:
Quem sou?
Porque raio estou preso a isto?
Qual a razão de não te resistir?

Estará o meu coração prisioneiro,
Refém de mim mesmo?

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