Até Sempre

Diogo Ferreira - Até Sempre

Foto: © Diogo Ferreira

Perdido nas ruas e vielas,
Sem qualquer rumo,
Percorro o trilho junto ao rio,
Uma água libertadora.

Saí de ti há um par de horas,
Abandonaste-me da tua cama,
Depois de me ter jorrado em ti,
Num momento agora fugaz.

Fui carne para canhão,
Aquecedor barato,
Aquele que te preencheu,
Que te aqueceu a cama,
Percorreu o corpo:
Aquele que te fodeu.

Abandonaste-me da tua cama,
Como um rafeiro, sem dono,
Preferes usar-me e jogar-me,
Deitares-me fora ao vazio,
A cada noite que passa,
Sou-te uma pastilha elástica;
Aquele que mascas,
Voltas a mascar e dispensas.

Perdido e sem rumo na noite,
Percorro este trilho junto ao rio,
Com pensamentos difusos,
Após uma noite de sexo e cocaína.

Quero libertar-me disto,
Olho o rio fixamente,
A corrente é forte e possante,
E eu deixo-me ir:
Até sempre.

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