Ad Aeternum

Paulo Mendonça 05

Foto: © Paulo Mendonça Photography

Há muito que não te sinto,
Mas sinto-te aqui comigo,
Não sei como explicar,
Proferir uma única palavra.

O mundo é nosso,
O horizonte a nossa tela,
Onde recordo todos os momentos,
Aqueles fortes que passamos;
Sim, continuo a falar de ti,
E para ti:
Sempre!

Já partiste deste meu mundo,
Como um anjo que bateu asas,
E se transpôs para outro plano,
Afastado de mim, inacessível.

Estás longe de mim,
E ao mesmo tempo aqui,
Comigo, ao meu lado,
É o que me faz sentir a tua memória,
Após a partida abrupta.

As vagas atacam as rochas,
Eu ataco-me a mim mesmo,
Sinto a culpa de não ir contigo,
Sabendo que a tua viagem,
O teu caminho é solitário,
Rumo a todo o sempre.

Restam-me resquícios de ti,
Todas as memórias que guardo,
E não abro mão,
Aprisiono-as ad aeternum,
Para sempre, em mim.

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