Sensações

Amy Mouton

Foto: © Amy Mouton

Desisto de controlar as minhas sensações,
Cedo às tentações que teimam assolar-me,
Deixo cair as defesas que me racionalizam,
Numa eterna luxúria tripartida de prazer:
O prazer puro e duro que me bujardam.

A noite mostra-se reduzida,
Vocês apoderam-se do meu corpo,
Sinto-me como carne para canhão,
Um reduto sem vontade própria,
Que nada em contrário manifesta.

Gosto desta sensação de liberdade,
O fluir da adrenalina no meu corpo,
Toda a pulsão em cada milímetro de mim,
De um nós que não existe ad aeternum,
Mas apenas fugazmente passageiro.

Liberto de um eu de outrora,
Deixo-me contagiar pelas sensações,
Sem qualquer dispositivo de norteio,
Permito-me sentir tudo sem grilhões,
Quero este registo sem constrangimentos,
Sem falsos pudores e promessas vãs:
Uma pastilha elástica com vários sabores!

Nunca os corpos me souberam assim,
Desta forma tão sensorialmente excêntrica,
Numa eterna noite com um fim anunciado,
A manhã tece o fim que galopa,
Rumo a uma nova dose inebriante:
O amor é assim, uma droga a sangue frio.

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