Prefácio: “A Heroína Que Me Corre Nas Veias” de Sofia Ferreira

A Heroína Que Me Corre Nas Veias

É com enorme prazer que fui convidado para prefaciar o livro da Sófia Ferreira. Desde já o meu obrigado.

Por vezes na montanha russa da vida, quando menos esperamos, somos bafejados pelo inesperado; pelo tropeçar de alguém – um tipo de alma gêmea, talvez – que se atravessa na nossa vida, sem pedir permissão, e que nos faz todo o sentido do mundo.

Conhecer a Sofia, foi, é, e será sempre um privilégio: num projeto em que estivemos envolvidos pudemos constatar que “parecemos” ser, de certa forma, uma complementaridade de um pensar; uma singularidade díspar, ao mesmo tempo que diretos, frontais, pragmáticos e diretos ao assunto.

Acompanhar este projeto, incentivar a Sofia, mesmo quando – numa determinada altura – tudo parecia perdido, foi sempre uma viagem cheia de peripécias, aliado a um prazer desmesurado que acredita só nós os dois compreendermos.

A parceria e a amizade tem estado sempre presente, mesmo sem o toque: nesta nossa equação não existe a parte carnal – presumo que a Sofia esteja a rir: estás não estás?

É com grande prazer que aceitei o convite para escrever o prefácio deste bujardar de sensações; desta panóplia de sensações, algumas errantes, vividas – talvez passíveis de o ser – que estão reunidas nesta obra.

“Se te entregas a 200% a alguém é garantido que vais acabar na merda ou na morte.” – a isto prefiro dizer que se está a ler estas palavras deve deixar-se de preconceitos, de falsos puritanismos e entregar-se de corpo e alma; deixe que o seu “eu” se atire de cabeça nesta história “esquizofrénica” de amor, paixão, tesão, ilusão e fuga; sim, uma fuga para a frente – talvez uma fuga do próprio “eu”.

Quantos de nós já tivemos a oportunidade de sentir o amor? Calma, falo de um amor que está para além do nosso controlo, da nossa capacidade sã de o vivenciar e “controlar” – embora ninguém controle, na verdade, nada.

“O amor conduz-nos à desilusão, à perda, ao sufoco.” – será que quem idealiza o amor não se esquece das coisas más, dos percalços que pode sofrer? Até que ponto o lado “negro” não faz parte de um verdadeiro amor?

Se pretende uma história banal, linear, este livro irá dilacera-lo; irá ser completamente desapropriado dos cânones que tem. A ideia de fundo é uma imersão num amor “tesional”, ilusório, ainda que real na perspetiva da protagonista.

Gosto de “ver” cair o puritanismo, o chamar as coisas pelos nomes, sem amarras; gosto de ser capturado e jogado ao abismo, sem rede, e a delirar a cada centímetro da queda. Assim é esta obra, uma viagem multidimensional pelo amor, pelos sentimentos, ainda que confusos por vezes, com um objetivo que não nos deixa indiferentes: “Toda a gente sabe que aquilo que é conseguido demasiado rápido é deitado fora com mais rapidez ainda.” – o efeito pastilha elástica aqui é domesticado, até à exaustão, ainda que a carência de sentimentos genuínos seja o que, na realidade, move quem pratica o “amor mecânico”.

O amor pode ser um abismo, uma viagem sem volta – uma “bad trip”, ou não – em que somos controlados pelo mesmo, como que espetadores de nós mesmos. Resta saber qual a sua capacidade de aguentar o não óbvio, o não linear, e um delírio orgásmico que o deixará ofegante, excitado e a ansiar por uma nova dose.

A droga, seja ela de que tipo for, pode ser uma forma de amor; este, por conseguinte pode ser a droga que nos faz viver cada dia como único – com ou sem ilusões.

Perca-se neste ode a um amor inesquecível, desconcertante, numa permanente ilusão do que é, do que pode ser e daquilo que cada um de nós quer que seja.

Está preparado para perder o controlo de si mesmo?

Link para a página no Facebook da Sofia Ferreira: clique aqui.

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