O Amor é… ?

flickr - Michael Fellner

Foto: © flickr – Michael Fellner

Dizem que o amor vence batalhas, mesmo aquelas mais difíceis, que transpõe arame farpado e nos atinge sem que consigamos articular duas palavras – será o amor um fenómeno da natureza, uma intempérie, um mal positivo que nos preenche e deixa knock out?

Sempre pensei que depois de tudo o que disseste, todas as razões que apontaste, e que fizeste questão de sublinhar, eu já não podia fazer parte da tua vida; que tinha sido o cabrão, filho da puta, que te apunhalou o coração e te deixou numa eterna transfusão de sentimentos ininterrupta: não foi? – já não sei mais nada: tu confundes-me!

Ligaste-me e disseste que eu era a tua transfusão, o teu sangue, os teus sentimentos ininterruptos que tinhas de ter a correr no teu corpo; que eu era quem tu querias, e que tudo o que me acusaste – embora seja verdade – simplesmente não queres saber; queres-me na tua vida, e para a vida. O resto é apenas um amontoado de acessórios que colocaste num saco plástico rasca e deitaste no contentor do lixo.

Pergunto-me como me podes dizer isto; como podes perdoar um tipo como eu, que te fez aquilo que tu bem sabes, mas que não pode viver sem ti – és o meu oxigénio, e tu sabes disso.

Talvez sejamos feitos um para o outro: depois deste tempo todo, afinal já passaram quase dois anos, a adrenalina e a dopamina já não são aquelas que nos regem, mas sim a oxitocina, o apego que sentimos um pelo outro; sim, sentimo-lo quer queiramos admitir ou não, é um outro nível de intimidade, como se de um plano superior se tratasse, e trata.

Agora estamos a comtemplar o vazio, o “arame farpado”, as agruras ficam lá atrás, como sequelas de uma doença que já passou, mas que nos faz recordar o nosso caminho, a nossa escolha. Parecemos dois “agarrados”, mas daqueles que em vez de cocaína, precisamos de oxitocina, de adrenalina e dopamina; uns agarrados às substâncias da paixão, do enamoramento e do amor maduro – será que estamos maduros, um para o outro?

Abraço-te, e tu abraças-me e ficamos assim; ficamos num beijo incessante, num abraço terno, e em juras de amor, num reiterar de votos que já fizemos vezes sem conta, mas que insistimos em perpetuar: será isto o amor?

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