Amor (des)formatado

Amor (des)formatado - Credit- Shutterstock.com

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Já me perguntei, inúmeras vezes, qual o segredo para o amor: será que existe na verdade um segredo; será que existe uma fórmula para atingir este patamar, tão sobejamente falado?

Falam, falam, falam e voltam a falar e nada dizem de novo; parece-me tudo tão cíclico e em torno das mesmas variáveis que fico sem bússola ou GPS que me faça encontrar esse ponto, tal ponto “G” de nós mulheres – alguns homens bem tentam, mas por mais que se esforcem “atiram” sempre ao lado; deve ser um problema de mira.

Hoje, precisamente cinco anos depois de te conhecer e termos acabado; trocaste-me por alguém que achaste que te fazia mais sentido, consigo olhar o horizonte e vê-lo de outra forma, mais sereno, em paz – também eu me sinto assim.

Tive aquele impacto inicial: primeiro quis ir atrás de ti, reconquistar-te a todo o custo, depois achei que nunca conseguiria encontrar alguém, porque tu eras único e no meio desta fase, entre a negação, o ódio, a falta de amor próprio e uma panóplia de sentimentos vários, que me iam quase destroçando, cheguei à brilhante conclusão que foste a melhor coisa que me aconteceu na vida; sim, estou a falar no passado: foste!

Estou na orla desta praia, sozinha, depois de uma viagem de oito horas, mais três de carro, mas que valeram pela vida; descobri-me no cabo do mundo, do outro lado do Atlântico, num lugar que jamais pensei vir sozinha, mas vim. Precisava de fazer isto, descobrir-me e ser descoberta: fui! – sem querer, tropecei em várias pessoas locais, que me fizeram rir, apenas pelo prazer de o fazer; pessoas que sem qualquer segunda intenção, e apenas pela presença, e porque deixei, são as responsáveis de eu ter emergido: estou finalmente completa.

Se me perguntarem qual a formula do amor, apenas posso dizer uma coisa: “tentativa, erro” – embora isso pareça vazio, como se fosse algo fugaz, é a única forma válida, depois de todos estes anos que considero verdadeira.

Quando tropeçar em alguém, ou o inverso, um de nós vai dizer, certamente: “vamos tentar?” – este “tentar” é consciente, é sem falsos pressupostos, formatações e amarras; é um “tentar” profundo, do fundo do meu eu.

– Vamos tentar?

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