Chama Eterna

Chama Eterna - Marco Torre - Sem Título

© Marco Torre

Decidi ir para casa, o caminho sempre igual a si mesmo: o sair do metro, o dar um passo e deixar-me ir nas escadas rolantes que teimam em levar-me onde tenho que ir, mas não quero: casa!

Sinto-me aprisionado em casa, como que perdido num local efémero, jogado no vazio de uma ausência humana; sim, é verdade, tu já partiste há muito tempo, demasiado, ainda que eu tenha sempre a eterna sensação que ainda ali estás, à minha espera, a sorrir, quando eu abrir a porta – eu sei que são apenas memórias, são desejos que nunca serão substanciados e.

A nossa vida foi uma sucessão de degraus, não em modo automático – porque estes éramos nós que os controlávamos -; desde o primeiro momento em que nos cruzamos, nesta precisa estação, nesta cidades, no início destas escadas rolantes. A vida tem a sua própria cadência, bem sei, e muitas vezes somos impelidos por forças estranhas que nos jogam nos braços de desconhecidos: tu!

Este jogo, esta vida de uma década, levou-nos ao êxtase, às discussões, ao quase casamento e a um fim; a um ponto final, uma pausa forçada sem que nenhum de nós pudesse antever ou controlar: foste embora! – eu nem tive tempo de te pedir para ficar, não pude fazer nada.

Hoje, de novo, vou sair da estação, vou ver aquela paragem de autocarro, tu a sorrires para mim, a atraíres-me, a dares-me uma vontade extrema correr ao teu encalço quando, num ápice, foste tolhida por um autocarro desgovernado que embateu contra a paragem, contra ti, deixando-me num vazio, perdido num caos.

É duro teres sido resgatada por uma entidade que eu desconheço; teres sido capturada, e eu não ter qualquer escolha, qualquer intervenção – apenas mantenho a promessa de te amar para sempre. Pensas que te esqueço, mas após dez anos, como se fosse ontem, mantenho todas as memórias e sorrio para o imaginário que é ver-te a fazer-me correr atrás de ti.

Onde estiveres, em qualquer dos planos, podes estar certa que o nosso amor arde no meu coração, como uma lareira num dia frio de Inverno que jamais ninguém conseguirá apagar-te: amo-te!

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