Eu

Paulo Diono Photography - Walking Alone

© Paulo Diono Photography – “Walking Alone”

Calcorreando a linha do meu pensamento, sozinho, decidi naquele fim de tarde de inverno lançar-me à área húmida que me faz lembrar fragmentos de ti; sim, lembro-me quando sorvia cada milímetro teu e tu, com a tua respiração descontrolada gemias, gritavas e ecoavas no quarteirão como se estivesses a desempenhar um papel: estavas? – às vezes penso que era aquilo, os outros saberem que eu te estava a dar prazer, que te permitias ter orgasmos múltiplos; uma forma de marketing sexual em modo broadcast para a vizinhança.

Vim para este lugar inóspito sozinho, a vivalma mais próxima fica a quilómetros, mas é de propósito, que eu não quero que ninguém entre na minha obra prima, por isso continuo a palmilhar este trilho. Quando cheguei sentei-me na areia a brincar, como quando fazia quando ainda era um puto – recordo aquele tempo com saudade, quando fazia castelos gigantes, pensava eu, que as ondas levavam como um sopro dado numa pena. Sinto que aqui posso ser eu; posso voltar aqueles tempos, ainda que por breves segundos, e deixar-me perder nos pensamentos. O charro que estou a fumar, enquanto brinco, faz-me pensar com mais clareza; penso de uma forma mais articulada, uma maneira de chegar até ti, sim a ti, sem que te apercebas.

Como é excitante fechar os olhos e sentir cada curva do teu corpo, os teus lábios, o teu sexo, a ti num todo, em modo eterno – a “moca” bate levemente e os meus desejos intensificam-se. Acabo o charro, levanto-me e sigo, continuo a senda que acaba já ali.

Acabo contigo, ou termino com o meu eu aqui, agora já mesmo? – queria tanto que fosses a minha heroína, e me viesses salvar: vens? – diz que sim amor, por favor.

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