Público | P3: Crónica: It Gets Better (Tudo Vai Melhorar): o que é?

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© REUTERS

É um programa válido, gerido e criado por pessoas devidamente responsáveis, com o objectivo de mostrar aos jovens LGBT que é possível ultrapassar as dificuldades da sua adolescência

It Gets Better / Tudo Vai Melhorar: o que é?
Não é um filme, nem mesmo um drama: não, não é! É um programa válido, gerido e criado por pessoas devidamente responsáveis, com o objectivo de demonstrar aos jovens LGBT (Lésbicas, Gays, Bissexuais e Transsexuais) que têm direito à felicidade; o potencial que reside dentro de cada um, e todo o positivismo que as suas vidas podem alcançar; que é possível ultrapassar as dificuldades da sua adolescência: sim, é possível!

Como surgiu?
Foi através do colunista e escritor Dan Savage, que criou um vídeo com o seu companheiro, Terry Miller, para dar esperança aos jovens LGBT vítimas de violência. A intenção era criar um núcleo pessoal de apoiantes que pudesse dizer a estes jovens que Tudo Vai Melhorar. O que este não esperava é que o movimento se tivesse tornado global, inspirando mais de 50.000 utilizadores a criarem os seus próprios vídeos, como por exemplo Barack Obama (Presidente dos EUA), Hilary Clinton (Secretária de Estado), David Cameron (Primeiro Ministro de Inglaterra) e tantos outros.

E Portugal?
No nosso país e nos países da CPLP — Comunidade de Países de Língua Oficial Portuguesa, através do activista Diogo Vieira da Silva, vice-presidente da CASA — Centro Avançado de Sexualidades e Afectos, passou, a partir de Abril de 2012, a existir o Projecto Tudo Vai Melhorar, um afiliado do It Gets Better Project.

Tudo vai melhorar?
Crescer é um processo complicado, nomeadamente para quem enfrenta diariamente agressões típicas do “bullying” (agressões físicas ou insultos) fazendo com que a o/a jovem se sinta uma vítima, sozinho/a, perdido/a, como se fosse inferior, menos capaz: é-o? Pelo contrário, a força, o poder de dizer basta, de pedir ajuda — é determinante pedir ajuda para que tudo possa melhorar —, vai fazer deste/a jovem um/a pessoa melhor, “maior”, com a capacidade de enfrentar o mundo com um sorriso nos lábios, passar a palavra, ajudar o próximo e contribuir para uma consciencialização de que todos somos iguais.

Tudo parece fácil, não parece?
Não é. Exemplo disso é a taxa de “bullying” homofóbico em Portugal (42%), ou o facto de os jovens LGBT terem um risco de quatro vezes mais de cometer suicídio e 8 vezes mais se forem rejeitados pelas pessoas mais próximas (familiares e amigos).

Já tinha pensado em tudo isto?
E se isto se passa com o seu filho? Sim, pensa que está imune? Acha que só acontece aos outros? Não, estes casos de bullying, seja de que tipo for, são transversais, multiculturais e não aparecem apenas nas notícias ou nos filmes, são uma realidade a qual devemos estar atentos e dar o nosso apoio, como pais, amigos, profissionais de saúde e sociedade. Olhar para o lado, fazer de conta que são rituais, coisas sem importância podem ter um resultado: suicídio — quer contribuir para este flagelo?

Como têm sido estes anos do projecto?
“Em Português criam-se sinergias entre pessoas e organizações, inclusive da lusofonia, que permitem ao Tudo Vai Melhorar divulgar as ONG a que os jovens LGBT devem recorrer em quatro países distintos (com especial destaque para Cabo Verde e Moçambique) ”, refere Diogo Vieira da Silva.

Actualmente o projecto conta já com diversos vídeos de figuras públicas das mais diversas áreas: Júlio Magalhães (jornalista), Hugo Soares (dirigente político), Manuel Pizarro (dirigente político), Ângelo Rodrigues (actor), entre outros.

O que falta fazer?
Continuar a transmitir mensagens e testemunhos de esperança no sentido de criar “um ambiente de segurança e bem-estar para todos os jovens LGBT”, segundo Diogo Vieira da Silva.

Como ajudar?
Um vídeo com uma mensagem de esperança; demonstrar o apoio, o amor, o carinho e a solidariedade ou um donativo monetário, para que o projecto possa continuar. Tudo é válido.

Este é um projecto de cidadania, é uma forma de consciencializar as mentes mais cristalizadas; aquelas que apenas sabem negar, refutar, “dizer mal”, criticar sem nada fazerem — tristemente —, ou sugerirem soluções.

Não acredita que Tudo Vai Melhorar?

Contribua, faça parte deste projecto!

Fonte: Texto de Pedro Pinto • 03/09/2013 – 17:00 @ Público | P3

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