Público | P3: Crónica: Três pequenas “grandes” editoras

3 pequenas grandes editoras

© AZRASTA/FLICKR

Esta é apenas uma pequena alusão às pequenas “grandes” editoras que lutam com as dificuldades, como tantas outras, para nos dar a conhecer os bons autores, desconhecidos, que existem em Portugal

Pequenas grandes editoras: é possível?
Numa conjuntura económica desfavorável estive à conversa com três exemplos de pequenas “grandes” editoras. Recusam-se a cruzar os braços, apontam ao seu target e querem ir em frente.

Pequenas ou “grandes” editoras?
O que as faz mover são aspetos tais como: “aliar novas vozes e um cuidado elevado com o objeto livro” – Alfarroba -; “uma experiência menos boa que tive” – Pastelaria Studios -; “ter consciência de que falta algo”, e que estas e outras lacunas podem ser preenchidas com um trabalho cuidado, apontando aos nichos de mercado existentes.

Serão os autores conhecidos os únicos a escrever bem? A vender bem?
Não é uma questão de escrever bem. A questão é um autor desconhecido, ainda que com uma excelente obra literária, nunca ver a mesma publicada por falta de notoriedade prévia.

As grandes editoras têm uma máquina de marketing eficaz; no entanto, o objetivo destas editoras não é concorrer, mas utilizar caminhos alternativos.

O que fazer?
A divulgação e distribuição é conseguida “com muito trabalho e sem ter medo de não ter qualquer margem de lucro” – Pastelaria Studios -, por vezes “as livrarias só comercializam à consignação” e há que “dotar a distribuidora de informação e material de promoção que possam ajudar no seu trabalho” –Alfarroba.

O que faz uma pequena editora apostar num autor?
“Essencialmente a qualidade do trabalho do autor” – Pastelaria Studios. Claro que é necessário existir um autor com perfil, com o qual se possa trabalhar e ligar à obra, bem como ao público-alvo.

Chegamos ao dia do lançamento: e depois?
Se o dia do lançamento pode ser uma montanha russa de emoções, o depois pode tornar-se um abismo, mesmo algo assustador: porquê?

Porque tem que existir “um trabalho da distribuidora e que é menos visível para o autor” – Alfarroba -, “o abandono dos autores por parte das editoras é uma constante, pois muitas apenas se preocupam com o ‘negócio rápido’” – Pastelaria Studios -, deixando o autor entregue a si mesmo, fazendo com que muitos desistam.

“É preciso fazer um acompanhamento diário das vendas e dos canais de distribuição, é preciso acompanhar o crescimento dos autores” – Livros de Ontem. Um trabalho diário, bem como uma consciencialização do processo que o livro percorre, são uma mais-valia para os autores.

O que é um autor completo?
Um autor completo “deverá ter além do talento da escrita, a vontade de escrever, a vontade de publicar, a vontade de se fazer ouvir” – Alfarroba -; deverá ser aquele que “procura o seu público, que é dinâmico” – Livros de Ontem. Terá que ser uma pessoa multifacetada acima de tudo.

E os ebooks?
A maioria destas editoras, considera que é um formato a apostar, algumas “oferecem o ebook aos autores” – Pastelaria Studios. Este formato é considerado um complemento, visto que o livro, como o conhecemos hoje, não irá desaparecer.

A crise económica obrigou a um “maior rigor na escolha de projetos que possam dar retorno” – Alfarroba -, discutindo-os com os autores e tentar antever, da melhor forma, a taxa de sucesso que poderá dai advir.

É um autor desconhecido, gostaria de ver a sua obra publicada? Tenha em atenção alguns conselhos que este editores têm para si: – “Mostrar vontade de escrever e ouvir a sua voz” – Alfarroba – “Clareza. Apenas isso.” – Pastelaria Studios – “Procurar o contato direto com do seu editor responsável.” – Livros de Ontem

Esta é apenas uma pequena alusão às pequenas “grandes” editoras que lutam com as dificuldades, como tantas outras, para nos dar a conhecer os bons autores, desconhecidos, que existem em Portugal.

Fonte: Texto de Pedro Pinto • 29/08/2013 – 19:04 @ Público | P3

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