eOptimismo: Crónica: Pessoas Mal-Amadas

Pessoas Mal-Amadas

Este tema, creio que como tantos outros, doí, e não é pouco: é um tema que toca a cada um de nós, de rompante, silencioso e que nos faz continuar “perdidos”.

Mas afinal o que é isto, o que são “Pessoas Mal-Amadas”?

Independentemente do género, raça, credo ou cultura vemo-nos por vezes em relações tóxicas, dentro das quais parece que temos tudo mas que no fundo, bem lá no fundo – e muitas das vezes temos consciência disso mesmo -, não estamos completos, permitimos que a outra pessoa nos manipule, abuse, faça o que quer de nós a seu belo prazer.

Já se sentiu assim?

Não precisa dizer nada – pense para si, faça uma retrospetiva, inspire, expire e, novamente, reflita como se fosse um exercício terapêutico.

O amor, a ligação emocional e afetiva não são quantificáveis; não podemos, nem devemos entrar no jogo de quem gosta mais de quem, como, porquê e de que modo: claro que não – isto é sobejamente evidente.

Agora pense no seu investimento, na dádiva que é acordar a cada dia, dar de si ao outro, sem filtros, barreiras, entraves ou qualquer outra espécie de grilhão, como se de um amor incondicional se tratasse, e pense: e o outro?

Pois bem, aqui e que reside o busílis da questão: o outro! Muitas vezes a outra pessoa é uma intermitência de estados, ora próxima, ora a seu lado (fisicamente), mas como se estivesse do outro lado do Atlântico, ou mesmo um mau humor permanente, como que uma revolta contra si, podendo chegar aos maus-tratos ou á violência psicológica.

Parece de fácil resolução, não parece? Mas não é: não, não é!

E quando parece que tem um campo de forças que o/a impede de se libertar, e quando está quase, mas quase a tomar a decisão, a outra pessoa, quase que antevendo, consegue prometer-lhe mundos e fundos, ou ludibriá-lo/a e automaticamente reequaciona novamente a sua vida, pensa que estaria a cometer o maior erro da sua vida, e permanece nesse vortex, nesse turbilhão, uma espécie de “toxicidade” que o/a impede de viver em toda a sua plenitude.

Isto acontece todos os dias, em todo o mundo, a um amigo/a, a si mesmo/a, sem aviso prévio, sem que tenha noção disto, apenas quando já lhe está a acontecer.

O que fazer? Como encarar, superar, liberar amarras deste vício?

Ninguém tem “a” solução milagrosa, o comprimido mágico, a palavra que o/a irá resolver a sua vida da “noite para o dia”: não, de todo, o ser humano não funciona assim, não somos, ninguém é, autómatos.

Cruzar os braços? Resignar-se?

É evidente que a resignação e a permissividade são o que alimenta o “agressor”; sim, podemos chamar a estas pessoas agressoras, independentemente do tipo que possam ser; são-no porque sabem que está sem a lucidez necessária, e a distância, para ver que o seu amor, por mais duro que seja admitir, funciona apenas numa direção, de si para o outro.

Atitudes positivas precisam-se!

Para sair do lodo, é preciso ter consciência que estamos no mesmo, por conseguinte é necessário apercebermo-nos, e percecionarmos as coisas, querer mudar, mesmo que apenas seja uma ténue vontade e procurar ajuda: ajuda!

“Mas é a pessoa da minha vida, morrerei se tiver que o/a deixar!”

Tem a certeza? Está realmente seguro/a que lhe vai acontecer tal coisa? Então e vai hipotecar o seu amor, os seus sentimentos ad eternum, em alguém, para uma pessoa que simplesmente os manuseia quando lhe apetece, como se fosse o seu animal de estimação?

Claro que não vai, vai às suas entranhas, onde reside a sua força – sim, porque tem imensa força, poder para o fazer -, vai procurar ajuda, um profissional de saúde, mesmo que pense que não vai resolver nada, mesmo que considere que vai perder o seu tempo, mas vá: vá, atire-se de cabeça, seja sincero/a, abra a sua vida, confie no profissional que escolheu e comece a longa viagem que é perceber os seus sentimentos; a longa viagem que é identificar quem está a seu lado lá em casa, que tipo de pessoa é, se – á medida que vai evoluindo, e conhecendo-se – é isso que quer, que pretende.

Poderá retorquir que é fácil falar para quem está de fora, que você é que sabe, porque está imiscuído/a dentro do vortex, mas já pensou que é isso que o/a faz ver de uma forma enviesada?

A palavra de ordem é: agir! – não pense duas vezes, não olhe para trás, não oiça mais ninguém.

Se este artigo o/a atingiu como um raio, é tempo de procurar a sua verdadeira felicidade: agora, já!

Uma relação emocional, afetiva, com intimidade, bilateralidade e respeito é uma relação saudável, é o caminhar juntos, de mão dada, passo a passo, com um projeto comum, na senda que é a vida, vivendo, vivendo-se.

Diga sim à sua felicidade!

Fonte: Texto de Pedro Pinto • 03/08/2013 @ eOptimismo

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